Quando é que vamos aprender que o que falamos precisa ser colocado em prática? A palavra sororidade tem sido usada como uma ordem de paz entre as mulheres, um incentivo de protegermos umas as outras. Proteger alguém é querer bem e é fazer o quem é bom e certo.

Na minha opinião, sororidade não é uma motivação para as mulheres se unirem em grupos para “lutarem” contra homens ou conquistarem postos de destaque. É uma maneira das mulheres se valorizarem, valorizarem umas as outras.

Quando pensamos nisso, temos que pensar em igualdade e equidade.

Do que adianta ter uma ajudante do lar que trabalha o dia todo na casa da patroa e não tem tempo para cuidar da própria família?

Pensar num mundo diferente é pensar em possibilidades de igualdade. Quem tem ajudante do lar já pensou em deixar seus filhos brincado com os filhos dela? Pra que ela possa ficar mais próxima dos filhos. Já pensou em tentar uma bolsa de estudo pros filhos dela na escola particular do seu filho? As vezes, a sua ajudante nem imagina uma maneira de melhorar a vida do filho por falta de informação.

Já pensou o quanto é importante, para ajudante do lar que trabalha o dia todo fora ou mora no emprego, ter flexibilidade na escala de trabalho para sair algum dia mais cedo?

Você já imaginou sua ajudante do lar estudando e conseguindo mudar de função?

Bom, já escutei pessoas dizendo que sem a ajudante do lar não vive. Que dependência é essa? De que tipo de igualdade estamos falando? Eu quero que o outro melhore, MAS, não precisa mudar de trabalho. Ou não pode colaborar para que a pessoa estude e encontre uma outra opção de trabalho.

Tenho sentido um incomodo com relação a essa classe trabalhadora, as ajudantes do lar. Muitas mulheres que nem sempre tem acesso a internet, quase não tem voz, uma das profissões mais antigas e que sempre foi exercida por mulher.

Um dos motivos que me faz questionar o orgulho de algumas mulheres que falam com entusiasmo da oportunidade da mulher sair para trabalhar. As ajudantes do lar tem essa “conquista” há muito tempo, então, não é bem um motivo de comemoração.

O que elas estão precisando, no momento, é de reconhecimento. É de empoderamento, oportunidade, valorização de suas funções e representações nos lares que nem são delas.

Já falei em outras postagens, desde que me tornei micro empreendedora fui obrigada a me organizar para trabalhar em casa. Não tendo condições de pagar alguém para fazer faxina e muito menos uma empregada mensalista. E fui percebendo que se eu quiser falar em igualdade teria que começar a praticar na minha vida.

Se toda mulher quer sua independência e estamos falando de sororidade vamos ter que aprender a ser mais parceiras, colaborar uma com as outras. Se a mentalidade da época do barão continuar, pensando que só porque está pagando não deve se preocupar com a qualidade de vida da ajudante, não estamos sendo nenhum pouco colaborativa com o futuro prospero e de justiça que tanto queremos.

Que possamos ter sabedoria para lidar com as pequenas questões do dia a dia, são essas que, geralmente, fazem a diferença positiva.

Beijos de luz,
Michelle Cruz
(Se a luz não iluminar seu caminho que, pelo menos, fulmine as ideias ruins)